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Contos das quinze linhas

Um evento. Quinze pessoas. Um nó inescapável do destino. Primeiro livro da série ficcional A Capital, Contos das Quinze Linhas revela o cotidiano de seus personagens em textos curtos, atemporais e profundamente envolventes. Cada linha conduz o leitor em direção ao fatídico dia, tecendo uma trama onde vidas se cruzam e se transformam de forma inesperada.

Profissional

Nonô sente a máquina passar pela sua cabeça. A capa, apertada no pescoço, faz seu rosto ficar vermelho. A alergia a poliéster é algo que gostaria de não ter. Começa a sentir frio em sua nuca, algo nunca sentido antes. Parece que lhe falta algo. Algo que sempre teve e nunca pensou a respeito da sua importância. Esteve pronto para mudar, mas as circunstâncias talvez tenham pesado em sua consciência. Mas agora já é tarde. O preço da impulsividade. Sabe que sua escolha foi errada, está triste e desapontado consigo mesmo. Mas não sai do lugar, fica ali, sentado, submisso […]

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Escócia

Do topo do castelo pode-se ver a neve caindo vagarosamente do céu. Já está chegando a hora do sol aparecer novamente. O relógio mostra um horário vespertino. Ethan dá um pequeno sorriso por saber que tomará um chá quente em breve. Coloca o binóculo beijando seu o seu olhar para o zoom. Pôde ver o lago, o enorme jardim, as muralhas já em ruínas, o tráfego turístico e alguns drones que permeiam a região. A tecnologia chegou e ainda não está habituado e familiarizando, ainda encontrando surpresa ao vê-los. O fone de ouvido toca uma música que lembra suas raízes.

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Rotina

A jarra plástica em formato de abacaxi está sob a mesa. Era apenas um almoço de família, algo rotineiro. As batatas no forno e uma comida requentada nas panelas já com deformidades de uso. Apenas um dia comum. Três pratos na mesa e o aroma no ar. O fogo ferve o feijão que borbulha. O fogo frita o arroz de ontem. Ninguém mexe. Era apenas um dia comum. Os pássaros não cantam lá fora. A jarra escorre o que antes era gelado. O fogo ferve o feijão e queima o arroz. Ninguém mexe. Mas o aroma está na casa, entre

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Carrosel

A luminária de carrossel rodopia clareando o quarto. O papel de parede com desenhos de astronauta em meio galáxia camufla a presença de uma mariposa no ambiente. O vento entra no quarto fazendo pinturas de aquarela em pedaços de papelão voarem pelo espaço. Uma lua escarlate em formato de eclipse pode ser vista da janela. Firmino a olha com uma bússola em mãos. Não há mais norte. As nuvens começam a se aproximar de maneira estrondosa. Firmino sabe que poderia tentar se proteger numa caverna com proteção de estalactite e ônix, para esse estudioso seria o mais apropriado. Mas nem

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Alma

Um momento intenso de reflexão. Em seu jardim, ao lado das montanhas e de frente para o oceano, Moacir encara sua solitude enquanto sente o vento bater contra sua face trazendo-o serenidade. Nesse abstrato labirinto que anda sua vida a caneta da intuição tem sido sua melhor amiga. Um amanhecer com sombras nebulosas e misteriosas no topo de sua cabeça, mas com um horizonte rico em cores, liberdade e esperança no horizonte. Após o relâmpago, silêncio. Sente uma coragem fantasiosa, fulgás, num reflexo pessoal de si mesmo. Falta-te equilíbrio, Moacir. A vida não é só aventura, sorrisos e magias do

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Shopping

Um domingo à tarde no shopping center é puro nervosismo. Se pudesse lhe dar um conselho, não vá. Rômulo pensa da mesma maneira. Preferiria estar na mira de um rifle, com certeza. Mesmo com o mapa das lojas em seu celular, não consegue encontrar o estabelecimento que deseja, um enorme labirinto. Um segurança o ensina como chegar. O caminho é conhecido, já passou por ali e não prestou atenção. Olha o manequim e se assusta com o valor da etiqueta, quase entrando em colapso. Rômulo sente-se um marciano em público, fica completamente desconfortável. Observa um casal tentando dar conta de

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Naufrágio

O girassol fica perdido devido a quantidade de relâmpagos. Não há um raio solar nesse começo de tarde. O oceano balança, acompanhando o piano que toca no alto falante potente. O barco dança enquanto navega no infinito. Era apenas uma pequena viagem, um sonho repentino, como quem deseja um chocolate. Minha vida monótona me deixou com saudade da liberdade, da aventura e do mistério. Comprar o barco foi além da minha imaginação, mas fiz, no calor do momento. Com certeza prefiro o oceano que a floresta. Era um caminho natural, eu sei disso. Fiz o que fiz com sorriso no

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Pixel

O telescópio vê um pixel de vida. Depois de anos andando em labirinto, Charles observa o céu com o vitral com desenho de fênix aberto, no topo do prédio mais alto da metrópole. A alquimia de fazer o universo um origami, dobrando tempo e espaço em busca de uma fagulha que seja. Agora está ali, olhado um ser não identificado, em formato de sereia, num lugar de pouca luminosidade. Ficou ali perscrutador, intrigado com o ser. Que o olha de volta. O ímpeto da criatura fez devaneio na amplitude efêmera do olhar, como se fosse conectado ao flagra. Sentiu a

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Crepúsculo

O vento que sopra frio traz consigo o crepúsculo. Foi inevitável para Washington fechar os olhos e saborear mais um fim. Os olhos fechados trazem mutantes imagens laranjas causadas pelo dourado fim de tarde. As mãos deslizam pelo trigo que espera colheita. Abrir os olhos e enxergar o que plantou. O horizonte é lindo. Não dá par ver o final do horizonte. Washington se despede do sol com gosto gelado que faz arrepiar os braços. O início e o presente lhe beijam a nuca. Sua simples casa a poucos metros, com fumaça saindo da chaminé, é um aquecido convite. O

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Rancho Esperanza

Uma fazenda. Cidade pequena, poucos habitantes e uma vida sem pressa. Um homem sem mulher. Filhos criados e preocupações sem grandes dimensões. Mas há segredos. Toda vida pacata demais, mesmo que não aparente, revela obscuridades sem precedentes. Todos sabem pouco e sabem muito. E o que se sabe, realmente, está escondido, rabiscado em cadernos antigos que, provavelmente, estão trancafiados e empoeirados. Antes do presente houve um passado. E no passado também houve um presente. Dependendo do estado de espírito, o passado e o presente talvez sejam a mesma coisa. — Um cachorro descansa o seu corpo velho em cima do

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Comercial

Todo peso do mundo no fofo do sofá. O dia frio pede companhia, e o que Apolo tem é seu cobertor e a programação noturna da emissora com sinal gratuito. Deveria estar trabalhando, sabe disso. Postergou todos os minutos do seu dia e nada foi feito. Sua cabeça pesa, a consciência pesa. Qualquer movimento há a necessidade de uma disposição interna tão intensa que Apolo não consegue sair de uma inércia que não pode ser precavida. O filme é antigo, mais velho que a própria idade de Apolo. Poderia ter ligado o stremming, mas não há internet. As contas estão

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A Parede

Dora está ansiosa. Faz três anos que pinta por mero prazer que o ócio lhe proporciona. Um passatempo que representa o melhor momento do seu dia. Sentada numa cadeira confortável, com seu café morno em mãos, Dora observa uma parede branca dentro de uma sala escondida em um arranha-céu da Vila Olímpia. Fugiu do sétimo andar, do seu escritório, dos números e prazos que sempre lhe rodeiam durante o horário comercial. Nesse andar vazio, Dora está só. — Há duas semanas, presenteou Ana Paula, uma amiga da época do colégio, com um dos seus quadros. Uma índia de meia-idade com

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Colorado

“Pode entrar!” Donald, um historiador consagrado, constrói uma tabela detalhada de seu novo trabalho. Sentado em sua escrivaninha, realiza seu ato matutino e cotidiano de atualização. “É preciso tabelar para fazer a organização trabalhar por si”, já dizia  “A Cerca da Produtividade”, seu livro de cabeceira. “Tô entrando!” Sua sogra entra no cômodo junto com um prato de manga fatiada, seu jeito carinhoso de dizer bom dia. “Vai uma manguinha aí?” Donald olha a senhora de meia idade com seu sobretudo branco e um cinto rosa que segura a vestimenta junto ao corpo. Não é Natal, mas se lembrou de

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